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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Eu vou vivendo e tentando não fazer tempestade em copo d'água. Por isso, às vezes me calo. Para não falar demais, para não me expor.

Aproveito esse tempo e reflito, sem má vontade, sobre tudo o que aconteceu. Chego a conclusões e no segundo seguinte mudo de ideia. Isso é comum, é humano. Mas as pessoas não parecem dispostas a compreender que o silêncio, aquele sem a intenção de deixar dúvidas ou machucar, é melhor do que algumas palavras impensadas, das quais a gente vai se arrepender no segundo seguinte, na semana seguinte, ou quando se der conta de que aquela era a última chance de salvar o que a gente tanto amava.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Leve


Ando preocupada. Às vezes, quando estou com você, parece que posso tocar o céu. Tenho medo da altura, tenho medo de me perder, de não conseguir respirar lá em cima.

Então eu só peço que, por favor, mantenha meus pés no chão. Não deixe que eu voe sozinha, não me faça tão leve assim que não possa me segurar junto de você e eu acabe alçando voos mais altos que os seus.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cheers

Tentar esquecer, deixar ir, refazer planos, virar o mundo de cabeça pra baixo, chorar, sorrir, beber até cair, levantar, abraçar o que te faz bem, descobrir outros caminhos, sentir saudade, superar, aprender com os erros, errar de novo, começar mil livros e terminar apenas um, fazer amigos, encontrar velhos conhecidos, sentir saudade de novo, superar novamente, caminhar sem rumo, encontrar motivos para recomeçar, gostar de músicas que antes não tinham graça, fazer coisas que nunca tinha feito,  pular sete ondas, acreditar que pode mudar, acreditar que para tudo há uma razão, amar-se, viver com a dor, viver para se curar, simplesmente viver.

"Há vida?"

Há vida.

À vida, um brinde!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vai Passar

"Vai passar", eles dizem. E ninguém entende que é esse o problema: vai passar. Um dia vai passar.

Enquanto os ponteiros do relógio giram, os dias vão embora e as semanas se transformam em meses, tudo o que aconteceu vai ficando no passado. E dói. Dói porque em pouco tempo não vai mais ter dor, nem saudade e nem vontade de voltar. Porque, como eles dizem, vai passar.

E aí toda a história, todos os momentos, as músicas, as alegrias e tristezas compartilhadas, as brigas, os sorrisos, as bebidas e porções, os sábados e domingos, os feriados, as panquecas, as palavras de amor, os pés roçando uns nos outros, os abraços, os beijos, o cheiro, tudo o que eu amava vai passar.

Um dia acordarei e não terá mais nada guardado que eu queira compartilhar, nem dor no peito que eu queira aliviar. Porque dor e sofrimento acabam rápido. E com eles, tudo o que os causou, por melhor que tenha sido.

Por mais que eu queira guardar tudo em um lugar seguro, dentro de mim, e esperar até que tudo possa voltar ao que era antes, não posso impedir que o  meu coração se cure, que as feridas se fechem ou que as lembranças virem pó.

É inevitável e está acontecendo neste instante, enquanto eu escrevo para que a pessoa mais importante não leia. Não vai ler, não vai saber e, em pouco tempo, sequer vai existir para mim.

É estranho assistir aos últimos suspiros de um sentimento e não ter como salvá-lo, ou não ter por que tentar.

E o tempo é essa coisa que eu sempre soube que influenciaria, sempre cuidei para que estivessemos juntos na hora certa. Falhei por brincar de tomar decisões quando não estava preparada e, mais tarde eu saberia, nem você.

Hoje o tempo cobra. Ele cobra maturidade, perseverança, bom senso, respeito e segurança em cada passo que dou, entre outras coisas que não vou saber citar agora. Ele cobra, acima de tudo, as consequencias de um ato certo feito na hora errada.

Em troca, leva tudo o que passou, tudo o que foi bonito, aquilo que levou tanto tempo para ser construído. Ele tira de mim, de nós.

E as pessoas insistem em dizer que vai passar, como se isso fosse um alívio.

Texto escrito em meados de outubro ou novembro, não lembro bem.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Amanheceu

Se fosse um conto do Caio Fernando Abreu, ele descreveria mais ou menos assim: calor, saliva e suor.

A poesia viria em forma de carinho no braço, ou quando ele para pra tirar um fio que teima em cair em seu rosto, ou quando fala qualquer coisa com voz de menino. Pede, com voz de menino. E aí você atende.

 “Saliva, suor e calor", diria Caio Fernando Abreu, que entendia de amores intensos, os que acabam e os que acabam de começar.
Ela andou falando tanto com Caio que por um momento acreditou ter se tornado mais um de seus personagens. Bobagem! Essa é a vida real batendo à porta e mandando que aproveite.

E a vida você não ignora, você vive.

     “Então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para liberar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim” 

                                           Caio Fernando Abreu; Os dragões não conhecem o paraíso 


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Carta Aberta Para Agosto

Querido Agosto,

hoje senti a necessidade de agradecer o seu sempre amigo período de trinta e um dias. Este ano, como todos os outros dos quais tenho lembrança - e vamos fingir, pela nossa amizade, que não são apenas os três últimos de todos os que já vivi - você foi calmo, delicado, gentil. Trouxe algumas tristezas e bastante alegrias. Em 2011, inclusive, nem o frio pesou tanto como era comum.

A essa altura, imagino que você estava me preparando para as complicações de Setembro e Outubro, esses sim uns meses danados! Não que seja minha intenção desmerecê-los, muito pelo contrário, acredito que houve sempre coisas boas para cada um deles, apenas não me lembro no momento.

Caio Fernando Abreu uma vez escreveu Sugestões Para Atravessar Agosto, mas não acho que tenha sido ele o primeiro a te olhar com desconfiança. Devo até dizer que, em algum momento, você pecou. Não sei se pelo frio, não sei se pela posição da lua, mas acho que alguma coisa aconteceu, assim, sem que você percebesse, para atrair tamanha descrença. Não fique triste, muitas vezes erramos sem notar, só percebemos quando as pessoas passam a se afastar de nós, tornando os equívocos mais aparentes. E quem não erra, não é verdade?

Agosto que te quero bem, por mais que as pessoas façam piada, brinquem que você é ruim, traz confusão, leva amores, traz dores, quero... ou melhor, preciso... eu preciso que saiba: todo mês pode ser melhor, se a gente quiser. Você querendo daí, a gente querendo daqui e vai dar tudo certo. Quando tiver chuva, vai ter chá quentinho, abraço de amiga (ou namorado, quem sabe?), cobertores macios. E quando for calor, vai ter risada alta, piscina, coca-cola gelada. Os dias vão ser cheios e as noites agitadas, exceto quando a gente precisar de silêncio, aí é só dar um céu bonito para ser contemplado.

E pronto, o mês passou. Logo passa o ano, a vida toda, como filme.

Vou encerrando minha carta aqui, espero que tenha tempo para ler e tempo para refletir, que é a parte mais importante.

Amo você como amo Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro e a vida. Ela toda, mesmo quando não tá tão bom assim.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Se fosse doença, eu chamaria de bipolaridade

Quero aprender a não querer dar colo, carinho, abraço, apoio. Quero cegar os olhos da alma, que enxergam tão fundo toda a insegurança. Preciso esquecer aquilo tudo tão bom e esquecer aquilo tudo tão mal e tudo o que é difícil de esquecer.

Vou dar tempo ao tempo e o tempo é você. Pra respirar, pra que te ame e me odeie, pra machucar, pra descobrir outros corpos e outros olhos, eu e você.

Vai ter riso, vai ter choro e vai ter fuga. É um milhão de músicas tocando ao mesmo tempo, formando um só som que a gente não sabe o que é. Pode ser que sim, pode ser que não. Vai tocando e a gente vai ouvindo até conseguir escutar de verdade.

Escrever não é opção, meu amor. Bem queria eu deixar o coração quietinho, seu pensamento bem distante do meu, criando histórias e decifrando códigos. Deixa eu aqui falando com paredes que é melhor. Um dia me ouve, um dia lê e ri de mim, assim, com sorriso bonito que tudo fica bem.

Enquanto isso fico alagando o quarto, escondendo bilhetes, criando mágoas e as desfazendo, sorrindo grande, chorando alto, tudo pro meu prazer. E o dia só fica bom lá pelas 9h30 que é quando percebo o tamanho do mundo e o tempo a esperar.

Olha pela janela que tá um lindo dia frio lá fora. Dia desses de abraçar forte, proteger o corpo da chuva, afastar a mágoa e vestir a camiseta preta cheia de bolinhas brancas de tecido só pra tirá-las uma a uma durante o dia. Distração.

Não seja injusto, meu amor. O calor se foi só para você sorrir e não pra me fazer chorar.

Tenha cuidado. Penso com carinho em você. Pense com carinho em mim.- CFA

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